sábado, 25 de julho de 2020

Sobre teletrabalho


Na década de 1980, Alvin Toffler (no livro "A 3a Onda") previu que as pessoas iriam trabalhar de casa. Isso geraria menos trânsito nas cidades e menos prédios de escritórios. As pessoas então iriam sair após o trabalho para entretenimento.

Toffler errou a previsão. Isso não aconteceu devido à tecnologia.

Foi preciso uma combinação de Pandemia + Tecnologias da informação para tornar isso uma realidade (ou pelo menos, algo bem mais comum).

Já Jeremy Rifkin acertou ao fazer uma previsão na década de 1990 (no livro "O Fim dos Empregos") de que os empregos iriam se modificar pelo avanço da tecnologia. O teletrabalho está acabando com alguns postos em áreas como transporte de pessoas e locação de locais físicos para trabalho. Mas aumentou demanda de serviços e vagas em empresas de infraestrutura de comunicação.

O teletrabalho permite a cada pessoa escolher onde quer morar e trabalhar, pois será um lugar somente para isso. Antes era preciso morar perto do trabalho para evitar perda de tempo no trânsito. Agora pode haver uma melhor distribuição de residências. Já há reportagens falando do deslocamento de pessoas para cidades do interior ou menos populosas. Talvez isso equilibre a distribuição de pessoas entre cidades, sem grandes concentrações. E pode ser uma boa oportunidade de negócios em cidades menores (inclusive para profissionais liberais).

Vão se dar melhor as empresas que conseguirem aumentar o número de clientes com pouco aumento nos custos. É o que Jeremy Rifkin discute no livro "Sociedade do Custo Marginal Zero".

Por outro lado, tem gente contra o teletrabalho. Marissa Meyer, presidente do Yahoo, acabou com o teletrabalho para seus funcionários por achar que eles estavam se encontrando menos e assim estavam discutindo menos ideias (tendo menos colaboração).

O argumento dela é embasado pelos estudos de Steven Johnson ("De onde vêm as boas ideias"). Ele relembra que os salões e cafés em Paris e Londres foram importantes para que grandes pensadores se encontrassem, trocassem ideias e desenvolvessem criações e inovações. Isso ficou bem claro no filme "Meia-noite em Paris" de Woody Allen.

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