sexta-feira, 27 de março de 2015

O futuro da IA é assustador - a tecnologia dominará o Homem ?

Artigo de Steve Wozniak sobre o futuro das tecnologias sobrepujando o Homem.  

http://idgnow.com.br/internet/2015/03/26/futuro-da-ia-e-assustador-e-ruim-para-as-pessoas-diz-steve-wozniak/

Este artigo complementa a visão de:
- Kevin Warwick: o professor cyborg acha que só poderemos vencer as máquinas (como em Matrix) se nos juntarmos a elas (se formos um pouco máquina também);
- Kevin Kelly (no livro "What technology wants") fala que as tecnologias possuem vida própria;
- George Basalla (no livro "the evolution of technology"): a evolução das tecnologias é darwiniana (faz uma comparação com a evolução dos seres vivos).
- Erik Brynjolfsson e Andrew McAfee (no livro "Race against the machine"): discute onde humanos são melhores que máquinas e vice-versa.

quarta-feira, 11 de março de 2015

O problema do estoque e a solução: precisão de estoque (a importância de conhecer o que será comprado pelo cliente e quando)



Ter produtos em estoque é necessário para não perder uma venda. Se o cliente chegar na loja e não tiver o produto, ele vai procurar no concorrente e pode acostumar –se a comprar lá.
Mas ter estoque de produtos é um problema para qualquer empresa, pelos seguintes motivos:
a)      É necessário ter espaço para armazenar os produtos e isto custa dinheiro (alugar ou comprar salas ou centros de distribuição). Note como as farmácias estão diminuindo de tamanho.  
b)      Perda de produtos, por deterioração, se mal armazenados ou mal transportados, por furto ou roubo, por perda de validade. Quando um supermercado faz promoção de iogurte é possível que este esteja vencendo.
c)       Capital imobilizado. O capital de giro precisa ser grande, mas este é um dinheiro que só serve para isto (para comprar o que será depois revendido). Não pode ser utilizado para outros investimentos (aquisição ou manutenção da infraestrutura, capacitação  de pessoas, compra de máquinas)

A solução: estoque preciso

A solução está em ter um estoque preciso, ou seja, só comprar o que será vendido com certeza, para não ficar com produtos estocados. Isto pode ser alcançado por análise de histórico de vendas e identificação de padrões de rotatividade (saída ou venda) de produtos.
Vejamos um exemplo. Eu tenho problema de alergia nas axilas. Só conheço um desodorante que não me dá alergia. Mas é difícil encontrá-lo em farmácias (pela internet, é mais fácil). Mesmo assim encontrei o produto numa farmácia perto da minha casa. Todo mês (mais ou menos) compro uma unidade. Como é um produto pequeno e caro (importado), não vende muito. Desta forma, sempre que vou comprá-lo, só há uma unidade disponível. Se eu comprar numa semana, na semana seguinte a prateleira ainda estará vazia. Provavelmente porque não dá tempo de comprar uma nova unidade (o responsável pelas compras identifica que não há mais unidades daquele produto e solicita reposição). Sistemas de informação automatizados podem ajudar a dar alertas quando a quantidade de um produto zera ou quando chega no chamado estoque mínimo. Já há sistemas que, através de conexões diretas com sistemas de fornecedores, já solicitam automaticamente a reposição. Outros sistemas são programados para fazer compras periódicas (exemplo, uma vez por mês) de forma fixa (por exemplo, fixando a quantidade a ser adquirida para reposição).
A conclusão (por inferência) é que esta farmácia já utiliza algum sistema (automatizado ou controlado por humanos) para saber quanto de cada produto deve ser adquirido e quando.
Esta é uma parte da solução: ter um sistema que controla entrada (compra) e saída (venda) de produtos, que utiliza mineração de dados para identificar padrões na rotatividade e que então sugere quando e quanto comprar de cada unidade.

A cauda longa (the long tail)

Este fenômeno (descrito por Chris Anderson no livro de mesmo nome) está acontecendo cada vez mais nos nossos dias e é impulsionado pelo Comércio Eletrônico e pelas inovações em logística.
A situação é a seguinte: se você for numa revistaria verá revistas bastante especializadas. Por exemplo, revistas de esportes è revistas de esportes náuticos è revistas sobre lanchas. E todas vendem mas não na mesma proporção. Por exemplo, um restaurante de comida tailandesa só terá 10 mesas porque o seu público é restrito. Mas ele sobrevive porque consegue equacionar seus custos com as receitas calculadas pelo público pequeno e pela quantia gasta pelos clientes. O mesmo fenômeno é visto em programas de TV, produtos alimentícios, bebidas, etc.  Isto acontece porque há uma micro-segmentação de clientes e mercados (nichos), exigindo produtos muito especializados, ou seja, para clientes muito especiais (exemplo: cookies de chocolate e café para diabéticos e sem glúten). Como o público é menor (e assim também as vendas), a produção da indústria deve se adequar a esta demanda específica. Estamos saindo do mercado em escala ou massa (vendar a mesma coisa para todos).
A cauda longa é chamada assim, porque se fizermos um gráfico de Pareto (como o abaixo) para produtos vendidos, teremos o seguinte:
a)      Os produtos são barras verticais e sua altura representa a quantidade vendida do produto;
b)      Os produtos estão em ordem decrescente de venda, os mais vendidos à esquerda.



Pode-se notar que o gráfico diminui da esquerda para a direita. Esta imagem lembra um animal de frente para a esquerda e assim seu “rabo” ou “cauda” estaria na direita. Geralmente as empresas preferem comercializar somente os produtos mais à esquerda (os mais vendidos), para não ficar entulhadas de produtos em estoque que não vendem muito (e já falamos do problema do estoque acima).
Entretanto, o fenômeno discutido por Anderson é que justamente as empresas estão também vendendo os produtos mais à direita, e a lista destes produtos aumenta devido à micro-segmentação (por isto, a “cauda” aumenta e fica longa).
Mas por que e como vender estes produtos que não saem muito ? A Amazon já foi considerada a “livraria sem livros”. Quando ela começou, seu catálogo de livros para venda era grande (não tanto como hoje, mas já era grande) mas ela não tinha todos os livros em estoque. Quando um cliente clicava no botão “comprar”, aí a Amazon contatava o fornecedor para realizar a compra e então entregar ao cliente.
Veja o catálogo gigantesco de sites como NetShoes, Americanas, FastShop e etc. Então tais empresas trabalham com a “cauda longa” (vendem produtos muito especializados mas que saem pouco) mas mesmo assim não sofrem com o problema do estoque. Qual a fórmula mágica para isto ?

A importância da logística

Quando um cliente clica no botão “comprar” ele já sabe quando o produto vai chegar. Para a empresa, é importante informar quando o produto vai chegar no cliente para não perder o cliente (e também ter um prazo de entrega melhor que os concorrentes).
A ideia é calcular este tempo com base nas seguintes informações:
a)      Onde o produto se encontra;
b)      Qual o endereço de entrega;
c)       Quais os serviços de transporte disponíveis entre estes dois pontos.
Para traçar a melhor rota (além de um software implementado com métodos de inteligência artificial), é necessário ter parceiros, pois a empresa não pode adquirir caminhões, aviões, navios, etc. A tarefa de traçar a rota deve verificar quais serviços estão disponíveis e quando, para “encaixar” um deslocamento no outro. Por exemplo, um carro que levará o produto de onde ele se encontra até o aeroporto mais próximo, alguém para retirar o produto e colocá-lo no próximo voo, um caminhão para levar de uma cidade a outra e alguém para entregar na casa do cliente. Imagine este cálculo sendo feito em segundos por computadores.
Se o produto estiver com o fornecedor, tem-se que levar em conta o tempo também do fornecedor até a empresa que revende ou traçar uma rota direto do fornecedor para o cliente.

“Não dormir com o produto”

Ficar com o produto aumenta as chances do problema do estoque. É preciso ter parceiros para transporte rápido  e que se encaixem perfeitamente para que o produto não fique parado em algum lugar.
As empresas querem diminuir o número de Centros de Distribuição (CD) e definir melhor sua localização para minimizar o problema do estoque. Como pode ser demorado e caro trazer um produto de muito longe, ter os tais CDs pode ajudar na eficiência. Pode-se utilizar um software de simulação para saber qual a melhor solução para os casos médios (produtos que mais vendem). Mas como saber se é interessante guardar um produto num CD se ele não estiver entre os mais vendidos ?

A Amazon quer enviar o produto antes de o cliente comprá-lo

A notícia no link abaixo diz que a Amazon já tem uma patente para tal solução automatizada.
Afora a ficção científica, análises estatísticas (por exemplo, usando métodos de Data Mining, mineração de dados) podem ajudar a identificar que produtos são mais adquiridos em cada região e assim formar um estoque próximo. Já prever se um produto será adquirido exige conhecer cada cliente com bastante profundidade. Mas há métodos preditivos que calculam probabilidades de eventos ocorrerem com base em históricos (assim como as sugestões de próximas palavras do corretor ortográfico de um celular). Estes históricos podem ser da própria pessoa ou de uma maioria (sabedoria das massas).

Produção sob medida (just-in-time)

Outra solução para diminuir estoques é o Just-in-time na produção. O objetivo é produzir sob demanda, ou seja, somente depois que alguém realmente manifestou o interesse de adquirir o produto. A indústria automobilística já usa este método. Mas há uma certa demora na entrega porque o produto precisa ainda ser produzido (veja o caso da indústria automobilística: um carro solicitado na revenda pode demorar 45 dias para chegar).

Produção em casa

Com a chegada de impressoras 3D nos lares dos consumidores, será possível produzir em casa um produto. Par isto, será necessário ter o design (projeto detalhado) do produto para ser inserido na impressora. Isto faz nascer um novo mercado para designers e engenheiros: vender projetos de itens para serem produzidos pelo cliente.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Big Data e Segurança em TI: o Terceiro “V” (Variedade)

Participei de um evento muito bom sobre Segurança em TI (http://www.securityleaders.com.br/forum/portoalegre/home.html). Especificamente participei do painel sobre Big Data e Analytics. Como não pude expor todas as minha ideias, já que éramos 6 painelistas mais a jornalista Graça como mediadora, resolvi escrever este post.
Big Data se caracteriza por 3 Vs: volume, velocidade e variedade de dados.
Quero falar especificamente sobre o 3o V (variedade de dados) aplicado a segurança de TI.
Normalmente os sistemas de segurança utilizam o que chamamos de “dados estruturados”. Os logs de acessos e eventos ocorridos em sistemas e redes de comunicação de dados contêm dados estruturados, ou seja, que podem ser armazenados em tabelas ou planilhas e assim podem ser facilmente interpretados. O maior desafio, entretanto, são os dados não estruturados. Dados em formatos não estruturados incluem imagens, sons e textos. Diz-se que 80% dos dados de uma empresa estão em formatos não estruturados.
Pense nas gravações (imagens e sons) que as empresas capturam e armazenam com suas câmeras de segurança. Não há ainda tecnologias para tratamento deste tipo de dados. Há pesquisas, e entre as empresas envolvidas está o Google tentando tratar imagens para o Google Imagens e sons para o Youtube. Já é possível, através de tecnologias de reconhecimento de fala, transcrever um áudio para texto. Mas isto ainda está sujeito a muitos erros e enganos. Uma empresa que atua nesta área é a Conexum Sistemas Computacionais Inteligentes (http://www.conexum.com.br/).
É também possível reconhecer movimentos em vídeos, reconhecer que há pessoas, rostos (e até sorrisos) em fotos, e também sabe-se que é possível reconhecer pessoas específicas em imagens (o Facebook permite marcar amigos). Mas o conteúdo de uma imagem ou vídeo, ou seja, o que exatamente há neles, ainda precisa ser decifrado.
E os textos ? Bom, análise de textos (por exemplo, através de text mining) é importante para Segurança de TI porque a empresa pode tentar descobrir estratégias de ataque que estão sendo difundidas através de fóruns, blogs, twitter, messengers, etc.
Outro caso interessante é pensar em ataques internos. Normalmente, pensamos em pessoas mal intencionadas que de fora da empresa planejam suas ações corruptas. Mas e se o inimigo está dentro da empresa, se é um funcionário ou até mesmo diretor ?
Certa vez participei de um projeto onde era necessário analisar e-mails que trafegavam pela empresa, porque havia suspeita de funcionários enviando informações para fora da empresa e planejando fraudes. E até mesmo se devia analisar dados históricos porque havia suspeita de que fraudes já haviam ocorrido.
Uma técnica utilizada neste caso foi analisar o vocabulário. Todos sabem que traficantes utilizam gírias próprias. Se alguém planeja uma ação ilegal e vai se comunicar com outras pessoas, certamente esta pessoa irá também utilizar jargões próprios. Nosso objetivo era identificar conversas suspeitas (até mesmo porque não se poderia analisar todos os e-mails manualmente e as técnicas automáticas ainda não são tão inteligentes para levantar suspeitas). O vocabulário suspeito é aquele que difere do contexto da empresa. Mas palavras que forem utilizadas uma ou duas vezes talvez não sejam interessantes, porque constituem um caso aleatório. Então, o interessante estava em repetições mas em volumes intermediários. Ou seja, não as palavras mais comuns, nem as mais raras.

Bom, este post é apenas uma dica de como a análise de dados não estruturados pode ajudar na segurança de TI.  

terça-feira, 16 de setembro de 2014

livro grátis sobre "A História do Lucro - suas origens, evolução e estado atual"

Comecei este livro como um capítulo específico do meu futuro livro sobre "A História do Empreendedorismo". Mas como o livro ainda vai demorar, resolvi publicar os escritos como um livro à parte.
Como anexo final, há a "história do dinheiro".

Link para livro grátis (free e-book):
http://www.intext.com.br/livro-lucro.pdf


Resumo:

O livro começa explicando uma classificação para tipos de lucro (distal, proximal, lucro verdadeiro e lucro falso). Há uma tentativa de explicar a origem do lucro, de onde veio ou como surgiu. Discute-se a diferença entre valor e preço, o preço das coisas pelo valor de mercado (o lucro falso), e há uma discussão sobre valor a partir da raridade ou pela fartura (popularidade). Depois, há capítulos individuais para discutir o lucro sem produção, o lucro por possuir bens ou propriedades e o lucro a
partir do dinheiro.
Um capítulo importante é o que trata da divisão do lucro entre envolvidos. Quem deve ficar com a maior parte: empresário, quem empresta o dinheiro, trabalhador ? Ou devem todos dividir igualmente os resultados ? Neste sentido, discute-se também a meritocracia. Há também um capítulo discutindo o lucro como incentivo para empreendedores. Depois, discute-se a perda de referencial nos preços e como a ganância dos empreendedores afeta o lucro e os preços finais.
Há uma tentativa de mostrar que o lucro pode gerar benefícios para a sociedade e que é possível fazer
negócios lucrativos mas também socialmente úteis (social business).
O livro termina com uma discussão sobre os valores incomerciáveis das pessoas, com uma discussão sobre a redistribuição de renda e uma proposta final para diminuir as desigualdades.
Como anexo final, há a "história do dinheiro".



Segue o sumário:


terça-feira, 9 de setembro de 2014

livro sobre "A comunicação entre usuários e analistas de sistemas" (livro grátis, free e-book)

Eu escrevi este material em 1989 e nunca publiquei, a não ser como relatório técnico interno no mestrado.
Recentemente vi inúmeras discussões sobre o mesmo assunto, principalmente por pessoas que trabalham com metodologias ágeis, sendo que entre os 4 princípios básicos estão a colaboração com o cliente e a comunicação/interação dentro do time de desenvolvimento de soluções.
Por isto, senti-me obrigado a publicar este material como um livro. Acrescentei pouca coisa, mas nem por isto o conteúdo é ultrapassado. Pelo contrário, só estou publicando o livro porque o conteúdo dele é ainda muito atual e precisa ser conhecido por parte de Analistas de Sistemas.
O tema do livro é a comunicação entre pessoas, mas o foco está em conceitos básicos que nem todos técnicos ou analistas conhecem. Há um resumo do livro no final deste post.


Apesar de o livro ser voltado para quem desenvolve sistemas de TI, o conteúdo pode ser útil também para qualquer pessoa envolvida em times, equipes ou projetos que busquem definir, projetar e desenvolver soluções para negócios.

O livro é grátis (free e-book) mas também está disponível para aquisição na Amazon em formato mobi.

Link para o livro:
http://www.intext.com.br/livro-comunic.pdf


Resumo do livro:
Este livro discute assuntos relacionados à Comunicação entre Usuários e Analistas de Sistemas. Começa discutindo a importância da comunicação para a Análise de Sistemas e apresenta as principais técnicas para coleta de dados. Após, o livro apresenta conceitos relacionados ao processo de comunicação em  geral e discute o papel dos signos, através da Semiótica. Há um capítulo específico para tratar da comunicação linguística, discutindo problemas relacionados ao uso das línguas e palavras. Depois, há uma capítulo sobre os significados e o papel dos signos na linguagem. São discutidos problemas relativos à interpretação da comunicação, compreensão de significados e a influência das emoções na comunicação. Há dois capítulos específicos para tratar da comunicação oral e da comunicação escrita, dando dicas de como fazer perguntas, como realizar entrevistas, como ouvir, como ler e escrever para ser melhor entendido. Há um capítulo só sobre a psicologia da comunicação, discutindo as relações humans, a influência da personalidade e das emoções, a resistência às mudanças, a atenção. Também há um pequeno capítulo sobre a comunicação em grupos, tratando em detalhes das reuniões. Por fim, há dicas para Analistas de Sistemas sobre como lidar com usuários e sugestões de como realizar melhor a comunicação entre pessoas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

As dimensões culturais e as diferenças entre povos - o modelo de Hofstede

Segundo Winston (2006), o comportamento humano é influenciado por genes (instintos) e pelo ambiente em que vivemos. Nada está pré-definido, apesar de alguns autores acreditarem que não existe livre arbítrio e livre vontade no nosso cérebro. Por outro lado, autores como Dawkins (2007) afirmam que nossos genes servem como predisposição para aprender e adaptar-se a novas situações; os genes são roteiristas de filmes, mas diretor e atores podem mudar rumos. Winston (2006) acredita que nosso desenvolvimento depende da cultura e das pessoas à nossa volta.

Tooby e Cosmides (1992) definem cultura como um conjunto de “práticas de comportamento amplamente distribuídas ou quase universais de grupo, incluindo crenças, sistemas de ideação, sistemas de símbolos significantes ou substâncias informacionais de algum tipo.” A cultura é mantida e transmitida pelo grupo, explicando assim similaridades intra-grupo e diferenças entre grupos. A cultura é replicada de geração para geração, através de aprendizado, podendo ser chamado de socialização. O indivíduo é mais ou menos um receptor passivo da cultura e é produto da cultura.

Para Hofstede (2001), cultura é a programação coletiva da mente que distingue um grupo ou categoria de outro. É um fenômeno coletivo, porque é compartilhado por pessoas que vivem ou viveram no mesmo ambiente social, no qual a cultura foi aprendida. A cultura é aprendida e não herdada; deriva do ambiente social e não dos genes.

Para Hofstede (2001) existem diferentes camadas culturais, sendo que cada pessoa pertence a diferentes grupos ou categorias ao mesmo tempo. As camadas culturais incluem a família, o país, a região onde a pessoa nasceu ou mora, a geração (faixa etária), o gênero (se masculino ou feminino), o nível ou classe social e a cultura organizacional (interna à empresa).

Para Hoftstede (2001, 2011), exitem 6 dimensões culturais independentes, associadas às distinções feitas pela sociologia organizacional. Estas dimensões a maior parte das práticas no meio social, especialmente dentro de organizações. Estas dimensões podem ser utilizadas para descrever as culturas organizacionais. As 6 dimensões são:
1. Distância ao Poder: como pessoas e instituições aceitam as diferenças de poder;
2. Anulação da incerteza: como pessoas se relacionam com um futuro desconhecido ou incerto, para estarem ou não confortáveis com isto;
3. Individualismo X Coletivismo: como é a integração e o trabalho conjunto entre indivíduos;
4. Machismo X Feminismo: divisão de papéis entre homens e mulheres;
5. Orientação de longo X curto prazo: relacionada com as escolhas, focadas no presente e passado ou no futuro;
6. Indulgência X limitação: relacionada à gratificação e ao controle de desejos básicos.

Hofstede avaliou e comparou países em cada uma das dimensões. No caso da distância ao poder: o primeiro país do ranking (com maior distância de poder) é a Malásia, seguida de Guatemala, Panamá, Filipinas, México, etc. O está Brasil em 14o lugar, enquanto que EUA está em 38o. Os últimos da lista de Hofstede são Israel em 52o e Áustria em 53o. Culturas com maior distância de poder, fazem distinção entre mais velhos e mais jovens. Aqueles são respeitados e temidos. Os jovens encaram naturalmente a obediência aos mais velhos. A educação está centrada no professor e há uma forte hierarquia. Subordinados esperam ser orientados sobre o que fazer.

Quanto à dimensão individualismo X coletivismo, os países onde as pessoas são mais individualistas são EUA, Austrália, Grã-Bretanha, Canadá, Holanda, Nova Zelândia e Itália. O Brasil encontra-se em 26o lugar. Pessoas de países de língua espanhola são mais colaborativas.

Em outra dimensão, os países com culturas mais machistas são Japão, Áustria, Venezuela, Itália e Suíça. Os menos machistas são: Dinamarca, Holanda, Noruega e Suécia. O Brasil está em 27o lugar.

No que se refere a lidar com a incerteza, os países com maior grau de anulação de incerteza são Grécia, Portugal, Guatemala e Uruguai. O Brasil está em 22o lugar enquanto que Jamaica e Singapura estão lá embaixo na lista. Uma forte anulação de incerteza significa que a incerteza é encarada como algo contínuo contra que se deve lutar. Há mais stress, ansiedade e neuroticismo. Há índices menores de satisfação, bem-estar e saúde. Há mais intolerância com pessoas e ideias. Em termos de educação, os professores são considerados oniscientes.

Quanto à dimensão de orientação, culturas com orientação a longo prazo dão mais importância a eventos futuros do que passados. Procuram olhar para o futuro, aprender com outros países e acreditam que bem e mal dependem das circunstâncias. Já as culturas com orientação a curto prazo acreditam que os eventos mais importantes acontecem no passado ou no presente, que a tradição não deve ser alterada, que as pessoas não devem mudar e que há orientações universais sobre bem e mal. Possuem maior orgulho do país que nas culturas orientadas a longo prazo. Os primeiros países do ranking (com alto grau de orientação a longo prazo) são os asiáticos, entre eles China, Hong Kong, Taiwan, Japão, Coréio do Sul, Índia, Tailândia e Singapura. O Brasil encontra-se em 6o lugar.

Oriente X Ocidente

Uma das maiores diferenças está entre as culturas de povos do oriente e povos do ocidente. Abaixo segue uma tabela que resume as diferenças entre estas culturas, como exposto pelo documentário produzido e dirigido por Jeong-Ook Lee e escrito por Kim Myung-Jin (2008).



Referências:


DAWKINS, Richard. O Gene Egoísta.Companhia das Letras, 2007.

HOFSTEDE, Geert H. Culture's Consequences: Comparing Values, Behaviors, Institutions and Organizations Across Nations. SAGE, 2001.

HOFSTEDE, Geert H. Dimensionalizing Cultures: The Hofstede Model in Context. Online Readings in Psychology and Culture, v.2, n.1, 2011.

LEE, Jeong-Ook; MYUNG-JIN, Kim. The East and the West. EBS Documentary by Korea
Educational Broadcast System, 2008.

TOOBY, John; COSMIDES, Leda. The psychological foundations of culture. p.19-136.
In: BARKOW, Jerome H.; COSMIDES, Leda; TOOBY, John (eds.). The Adapted Mind: Evolutionary Psychology and the Generation of Culture.
New York: Oxford University Press, 1992.

WINSTON, Robert. Instinto humano. São Paulo: Globo, 2006.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

A evolução da população mundial, desde a pré-história até os dias atuais

Tamanho da população mundial ao longo dos tempos


População mundial em milhões de pessoas
(de 1.000.000 a.C. até hoje)
A tabela completa se encontra no final (com as fontes dos dados).

  
Diversos autores estudaram a evolução da população mundial. Não há registros antigos, então foram utilizadas estimativas a partir de registros de historiadores antigos, achados arqueológicos, programas de computador, etc.
A estimativa mundial geralmente é feita por estimativas regionais. Mas é difícil estimar populações de povos que só foram descobertos mais recentemente, como é o caso dos habitantes nativos da América.
A tabela utilizada para gerar o gráfico (e que se encontra ao final deste capítulo) foi gerada a partir das publicações de vários autores. Quando somente um autor indicava o tamanho da população para uma determinada data, este valor foi utilizado. Quando havia conflitos, tentou-se pegar um valor médio (desde que próximo dos números sugeridos) ou um dos valores foi tomado como certo, pela relevância da publicação.



Mudanças e Eventos Principais



Pelo gráfico total, pode-se notar que a população na pré-história, tinha um crescimento baixo e estável (sublinear). Pode-se notar também que, a partir de 1800 (como será discutido adiante), o gráfico sobe muito rapidamente, sugerindo uma função exponencial.
Abaixo são comentados alguns eventos que se destacam durante esta evolução.

Pré-História e Idade Antiga




Pode-se notar que o surgimento das primeiras civilizações fez o gráfico subir rapidamente. No início da agricultura, o crescimento era linear. Depois veio a ser exponencial.

Antes disto, houve uma época climática conhecida como Dryas Recente, onde prevalecia uma espécie vegetal tipo tundra, com clima muito frio e seco. Esta época é posterior a um pequeno aquecimento que ocorreu logo após a última Era Glacial.
É possível que o clima frio tenha refreado o crescimento da população, principalmente porque a expectativa de vida era baixa, por dificuldades em encontrar comida e suportar o frio. Praticamente, não havia avós. Segundo Jared Diamond, a expectativa de vida era de 26 anos.

Após este período, o clima aquece e se torna estável. Aí é que surge a agricultura como um modo de vida alternativo aos caçadores-coletores. Como isto se deu e por que a agricultura foi aceita em diferentes e independentes lugares do mundo, é tema de outro capítulo. A característica principal dos povos que viviam da agricultura é que tinham excedentes de comida e não dependiam mais tanto das variações da natureza ou da disponibilidade de caça (até porque há uma hipótese de que houve grandes extinções nesta época, principalmente de grandes mamíferos).

Com a agricultura, surgem as primeiras cidades (e depois chamamos de civilizações). Com elas, funções diversas não ligadas à produção de alimento (artesãos, militares, governantes, engenheiros, etc.). Apesar de alguns pontos controversos, a população cresceu, porque a expectativa de vida aumentou, porque mulheres poderiam cuidar dos filhos pequenos trabalhando menos e ficando em casa e porque grávidas não precisavam se deslocar como era antes na vida nômade,
As controvérsias incluem:
- a domesticação de animais trouxe mais vírus para o convívio, especialmente porque as cidades antigas não tinham separação muito definida de espaços para criar animais, para agricultura, para dormir, etc.;
- a dieta baseada em vegetais era mais pobre; isto pode ter sido contrabalançado pela domesticação de animais; a expectativa de vida pós-agricultura baixa de 26 para 19 anos (Jared Diamond);
- surgimento de guerras entre cidades; há quem diga que havia também entre tribos nômades, mas só não se consegue descobrir registros.

O artigo de Jared Diamond detalha melhor estas controvérsias.

Surgem também as primeiras inovações, como roda, diques, ferramentas, especialmente com aquela que é considerada a primeira civilização: os sumérios. Geoffrey West (discutido adiante) acredita que mais pessoas juntas tendem a gerar mais inovações. Segundo Ray Kurzweil, esta é a Lei do Retorno Acelerado (inovações crescendo exponencialmente).


Idade Média


Durante 1o milênio d.C., quase não houve crescimento na população mundial (ficou estagnada). Uma causa possível, segundo Durand, seria a escassez de recursos e as poucas inovações que surgiram nesta época (Idade das Trevas).
Após o primeiro milênio, há uma subida no gráfico, talvez pelo aquecimento global (conhecido como aquecimento medieval).
Entre 800 e 1300 d.C., a temperatura média na Terra ficou 3 graus mais quente que a média atual. Foi nesta época que a Groenlândia teve fazendas e os Vikings chegaram à América (ver mapa da Groenlândia).




O aquecimento gerou secas em alguns lugares, e isto pode ter gerado quedas em algumas populações, como por exemplo os Maias (esta é a hipótese para a dizimação dos Maias, já que há registros arqueológicos de um período prolongado de seca entre 1020 e 1100).
Mas a principal razão da uma queda na população mundial foi a peste negra, que exterminou 1/3 da população da época (estimativa de 75 milhões de pessoas), durante o século XIV.

Houve, ao final da Idade Média e início da Idade Moderna, uma pequena era glacial com temperaturas médias de 0,5 a 1o C inferior à média atual. Neste período, o Rio Tâmisa ficou tão congelado em um certo ponto, que até uma feira de inverno foi realizada sobre o rio (em 1607). Entre 1645 e 1715 houve um período com pouca atividade solar (manchas solares eram raras), que ficou conhecido como “o mínimo de Maunder” (ver artigo de John A. Eddy), coincidindo com um período de temperaturas abaixo da média em toda a Europa. O inverno de 1708 a 1709 foi o inverno mais rigoroso já registrado.


Idades Moderna e Contemporânea



A partir de 1800, pode-se notar crescimento exponencial. As causas serão explicadas a seguir.


Causas para crescimento exponencial no século XIX

No início do século XVIII e durante todo aquele século e o seguinte, diferentes inovações surgiram entre a Europa e os EUA. A característica principal desta revolução era a substituição do trabalho humano ou animal por máquinas. Com isto, surgem indústrias, locais que concentravam as máquinas e seus trabalhadores. A primeira mudança radical é que as pessoas agora não trabalhavam mais no mesmo local onde residiam, como nos tempos medievais ou feudais, quando a agricultura era a principal atividade econômica. Surge a dicotomia casa-trabalho. Como a população crescia linearmente, as oportunidades no campo não seguiam no mesmo ritmo, principalmente porque as terras estavam concentradas nas mãos de poucos. As indústrias então atraem muita gente do campo para as cidades. Mais gente junta, mais casamentos e nascimentos. Entre 1750 e 1850, a população da Inglaterra quase triplicou. E segundo Andrade e Souza (2011), a cidade de Londres aumentou em 5 vezes sua população entre 1801 e 1891.
E toda esta movimentação era facilitada com o surgimento das ferrovias, atravessando países.
Muitas inovações diminuíram a carga de trabalho físico sobre humanos. Isto não que dizer que a jornada de trabalho diminui, muito pelo contrário aumentou e os chefes passaram a cobrar horários de entrada, saída e intervalos, como engrenagens mecânicas feitas de ferro e homens (criticado no filme de Charles Chaplin “Tempos Modernos”).
Havia muitos luxos disponíveis, uma vez que muita coisa era produzida em massa e com preços baixos. Mas para os operários a vida era muito difícil e já começava desde a infância. Até artesãos foram trabalhar nas fábricas, porque os produtos que faziam antes agora eram colocados no mercado mais rapidamente e com menor preço pelas indústrias.
As cidades cresceram sem planejamento. As maiores da Europa eram Londres e Paris. Operários moravam próximos das fábricas, que sujavam os céus e rios. Ruas estreitas, casas miseráveis, sem água limpa ou rede de esgotos. Segundo Macedo, não havia o hábito de tomar banho, devido à falta d’água e às dificuldades de sua eliminação, nem o hábito da troca de roupas ou mesmo de lavá-las.
Diversas doenças proliferavam (ver Bresciani).
Até a comida era industrializada. Certamente, condições para diminuir a expectativa de vida da população.
Os rios estavam contaminados. Em 1610, as águas do Tâmisa foram consideradas não potáveis. E o cheiro era insuportável.
As grandes cidades também possuíam grandes centros bancários e financeiros. E isto atraía ainda mais pessoas. Mas havia grande desigualdade social.
Imagine ruas estreitas, becos, prostitutas, ladrões, ratos e sujeira, operários bêbados degradados pelos baixos salários e falta de oportunidades. Tudo isto somado a intelectuais publicando teorias revolucionárias. Este é o contexto da Revolução Francesa, mas também se encaixa no ambiente de Karl Marx, Max Weber, Frederich Engels, etc. Leia o livro de Victor Hugo, ou assista ao filme ou musical sobre “Os Miseráveis”.

Por outro lado, surgem iniciativas para melhorar a qualidade de vida nas grandes cidades. Em 1796, é descoberta (ou inventada ?) a vacina contra a varíola, por Edward Jenner. O Dr. Snow descobre que a causa da disseminação da cólera em Londres (gerando uma epidamia entre 1850 e 1860) era a água e não o ar.
Surge o urbanismo: uma tentativa de fazer planejamento para o crescimento das cidades.
São criadas redes e sistemas de captação de esgoto.
Em Paris, uma grande reforma é solicitada por Napoleão III, encabeçada pelo Barão Georges-Eugène Hausmann, entre 1852 e 1870. O objetivo primeiro era fazer uma reforma urbana para promover melhorias em manobras militares, principalmente para evitar os motins com barricadas nos becos de Paris (bem descritos por Victor Hugo em “Os Miseráveis”). A reforma transformou Paris num enorme canteiro de obras. Pontas foram criadas mas rebaixadas para não atrapalhar a visão estratégica militar. Vastos boulevards, jardins e parques foram criados derrubando quarteirões inteiros (principalmente de moradores pobres).


Ver foto de Charles Marville (disponíveis no The Metropolitan Museum of Art, Nova Iorque)


Conforme Macedo, algumas leis trabalhistas foram criadas na Inglaterra para proteger os trabalhadores, bem como foram feitas melhorias em assistência médica e hospitalar, fornecimento de abrigos e alimentos aos desempregados. Conforme Macedo ainda, “para as elites dominantes, a preocupação era controlar os novos segmentos populares e lhes impor um sentido de ordem. Para as lideranças revolucionarias, o crescimento populacional, abria a possibilidade de uma presença maior da classe operária no cenário político, fato que lhes dava esperanças de transformações a curto prazo.”

A circulação e a higienização também melhoraram. Antes, era preciso sair às ruas de Paris com sombrinhas e guarda-chuvas, pois as pessoas recolhiam dejetos em penicos, que depois eram descarregados pela janela. A cidade fica mais arborizada e iluminada. A urbanização de Paris inspira Júlio Verne a escrever o livro “Paris no século XX”, imaginando o futuro da cidade dali a 100 anos.

Este site compara a Paris antes e depois de Hausmann:
Além de Londres, Haussmann influênciou várias outras cidades na França, nas colônias francesas e na Europa tais como Torino, Viena, Bruxelas (Andrade e Souza, 2011).

Na Espanha, Cerdà planeja uma nova Barcelona em 1859. A preocupação era com habitação e circulação. Cerdà pensa na cidade como um todo (segundo o que hoje chamamos de “pensamento sistêmico”): haverá fluxo simultâneo de pedestres, de carruagens e trens elétricos; cabos devem ser subterrâneos.


Malthus Revisitado

A teoria malthusiana dizia que a população cresceria em taxas maiores que a produção de alimentos e que, por isto, faltaria comida e haveria mortes.
A previsão ainda não se cumpriu. Muitos acham que, com o avanço tecnológico, isto nunca acontecerá.
Entretanto, estamos vivenciando uma crise de recursos naturais. Já há previsões muito pessimistas sobre a disponibilidade de água potável para um futuro não muito distante. Também estamos enfrentando problemas com espaço para armazenar o lixo que produzimos. Países desenvolvidos enviam seus lixos em contâiners para países pobres (pagando por isto). Ilhas paradisíacas que recebem milhares de turistas por ano separam um lado da ilha para armazenar o lixo produzido pelos resorts.
Além disto, há uma elevada concentração de renda e que só aumenta. É possível que a renda seja tão escassa daqui a alguns anos que os mais pobres precisem viver como os servos e escravos nas antigas cidades (o historiador Fustel de Coulanges conta em detalhes como era a vida nas cidades antigas).
Também não estamos salvos de epidemias. A epidemia de H1N1 em 2009 provou a fraqueza do ser humano e das sociedades ante um vírus desconhecido. O perigo aumenta por causa da globalização, onde mais pessoas e mercadorias circulam, seja por questões profissionais ou por lazer, e até mesmo a comida hoje é globalizada, podendo ser transportada dos locais de produção até os centros de consumo em curto tempo.

Geoffrey West e parceiros estudam as cidades atuais e projetam futuros sombrios. A complexidade aumenta à medida que as populações crescem. Já temos vários cidades no mundo com mais de 10 milhões de habitantes. Governos, empresários e sociedade civil não conseguem propor soluções. West descobriu características que seguem uma proporção linear ao número de habitantes de uma cidade: número de postos de gasolina, índices de crimes, PIB, número de patentes, etc.

Hoje a população urbana é de 50% (ou seja, metade da população mundial vive em cidades). Em 2050 será de 70% (Fonte: United Nations, Department of Economic and Social Affairs, Population Division: World Urbanization Prospects).

West explica por que as cidades aumentam cada vez mais: quando uma cidade dobra de tamanho, ela só precisa aumentar 15% de sua infraestrutura. E segundo as estatísticas, isto acontece em qualquer cidade do mundo, não importando o país, renda, posição geográfica, história, etc.



Fontes de dados populacionais:



BLAINEY, Geoffrey. A Short History of the World. Penguin Books Australia, 2000.


COCHRAN, Gregory & HARPENDING, Henry. The 10,000 year explosion: how civilization accelerated human evolution. NY: Basic Books, 2009.


DURAND, John D. Historical Estimates of World Population: An Evaluation. Population and Development Review, v.3, n.3, Sep., 1977, p. 253-296.


KREMER, Michael. Population growth and technological change: one million B.C. To 1990.
The Quarterly Journal of Economics, v.108, n.3, Aug 1993, p.681-716.


LEAKEY, Richard E.; LEWIN, Roger. Origens: o que novas descobertas revelam sobre o aparecimento de nossa espécie e seu possível futuro. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1980 (original: 1944).


McEVEDY, Colin & JONES, Richard, M. Atlas of World Population History. Puffin, 1978.
NIELSEN, Ron W. & NURZYNSKI, Jan. Computer simulations of the extinction of megafauna
Environmental Futures Centre, Gold Coast Campus, Griffith University, Qld, 4222, Australia, September, 2013.


Bibliografia:


ANDRADE, Aridson Renato Monteiro & de SOUZA, Célia Ferraz. A circulação das ideias do urbanismo: desde o século XIX até Brasília, nos anos 60. Porto Alegre, notas de disciplina. 2011.

BRESCIANI, Maria Stella Martins. Londres e Paris no século XIX: o espetáculo da pobreza. São Paulo: Brasiliense, 2004.

DIAMOND, Jared. The Worst Mistake in the History of the Human Race. Discover Magazine, May 1987, p. 64-66.


EDDY, John A. The Maunder Minimum. Science, v.192, n.4245, 18 June 1976, p.1189-1202.


FUSTEL DE COULANGES, Numa Denis. A cidade antiga. 4a ed. SP: Martins Fontes, 1998. (Original: la cité antique)


de MACEDO, José Emerson Tavares. A cidade de Londres no século XIX: uma abordagem sobre os marginalizados. Alpharrabios, Revista do Curso de História. s.d.

MALTHUS, Thomas Robert. An Essay on the Principle of Population. Malthus Press, 2013.

WEST, Geoffrey. The surprising math of cities and corporations (palestra). Disponível em
http://www.youtube.com/watch?v=XyCY6mjWOPc




Anexo – tabela com a população mundial por ano


Tabela completa utilizada para gerar o gráfico (com as fontes dos dados)

ano população em milhões fonte
-1000000 0,12 Michael Kremer
-300000 1 Michael Kremer
-100000 0,5 Cochran e Harpending
-60000 0,25 Cochran e Harpending
-25000 3,3 Michael Kremer
-14000 4,2 Ron W Nielsen & Jan Nurzynski
-11000 5 Ron W Nielsen & Jan Nurzynski
-10000 6 Cochran e Harpending
-8000 10 Leakey e Lewin
-5000 15 Ron W Nielsen & Jan Nurzynski
-3000 60 Cochran e Harpending
-2000 90 Geoffrey Blainey
-500 100 Atlas of World Population
-200 150 Atlas of World Population
0 170 Michael Kremer
1 275 Durand
1000 280 Durand
1250 380 Durand
1400 370 Atlas of World Population
1000 410 Leakey e Lewin
1500 500 Atlas of World Population
1650 545 Leakey e Lewin
1750 728 Leakey e Lewin
1800 906 Leakey e Lewin
1850 1171 Leakey e Lewin
1900 1600 Leakey e Lewin
1950 2500 Leakey e Lewin
1960 2900 Leakey e Lewin
1965 3300 Leakey e Lewin
1970 3500 Leakey e Lewin
1975 3900 Leakey e Lewin
1980 4400 Atlas of World Population
1985 4800 Atlas of World Population
1990 5200 Atlas of World Population
1995 5600 Atlas of World Population
2000 6000 Leakey e Lewin
2010 7000 Atlas of World Population