Peter Drucker certa vez disse que "no futuro, haverá 2 ou 3 grandes dominando cada mercado".
Minha opinião é que há espaço para os pequenos. Eles serão parceiros dos grandes.
Jeremy Rifkin no seu livro "The Zero Marginal Cost Society: The Internet of Things, the Collaborative Commons, and the Eclipse of Capitalism" fala de uma nova ordem econômica. Ela será caracterizada pelo Prosumidor (aquele que consome mas também produz), criando um novo mercado, que integra empresas fornecedoras e clientes. Clientes irão consumir destes fornecedores mas ao mesmo tempo ajudá-los na produção ou distribuição.
Cidadão, faça você mesmo e venda. Mas seja parceiro de uma empresa.
Empresa, conquiste um cliente e peça sua ajuda.
Rifkin chama de "social/collaborative commons", este exército de pessoas comuns que irão colaborar entre si, com empresas e com a sociedade para gerar novos mercados. Esta seria a terceira força (além de governo e mercado).
Não são necessariamente filantropos, mas podem ser. É um mercado entre capitalismo e socialismo. Meio difícil de classificar ou entender. Mas ele existe e dá retorno financeiro.
Exemplos já existentes para representar este novo tipo de mercado:
a) produção de energia em residências (na Alemanha já é realidade cidadãos vendendo o excedente de sua produção caseira);
b) application stores (cada cliente pode fazer seu aplicativo e vender pela Apple ou Google Play);
c) impressão 3D em casa;
d) venda e distribuição de produtos, como fazem Avon e Natura;
e) sites para bandas novas divulgarem suas músicas (cliente pode fazer sua música e vender);
f) pessoas publicando seus livros e vendendo (Kindle Direct Publishing da Amazon) ;
g) hospitais que recomendam cuidadores para pacientes em residências;
h) empresas que recomendam entregadores (empresas para pequenas entregas);
i) empresas que recomendam montadores ou assistência técnica (móveis, aparelhos, etc);
j) Youtube, Google, Facebook, Twitter: pessoas produzem conteúdo;
k) AirBnB: aluguel de quartos da sua própria casa.
Vantagens deste novo tipo de mercado:
- diminui custos para empresas e depois para clientes
porque o cliente contribui fazendo parte do serviço e porque usa parte da sua infraestrutura
- diminui custos porque elimina atravessadores
quem quer comodidade vai pagar mais caro
- custo marginal zero (do Rifkin): custos iniciais com aprendizagem ou infraestrutura
depois custo é quase zero
- utilizar infraestrutura e conhecimento que já está disponível
- poder de produção e criatividade de clientes e pessoas comuns
- Internet das coisas físicas: como começou a Internet, ponto a ponto, cada um custeava ligação até outro ponto; imagine isto com redes de distribuição de energia, banda larga, telefone, entregas
- descentralização: cada um faz uma parte pequena e juntando tudo dá um todo enorme.
- novos tipos de empregos, negócios e renda
Segundo Rifkin, mais empregos que nos setores tradicionais e mais aumento que o PIB.
Desafios:
- para alguns mercados, cliente precisa conhecimento ou infraestrutura
empresas podem bancar estes custos iniciais para obter parceiros
Casos possíveis no futuro:
=> entrega, transporte, logística e distribuição
empresas de transporte, táxis, ônibus
+
motoboys, cidadãos comuns com seus carros e casas para armazenamento temporário
(revolução do Uber e outros)
=> ensino informal
universidades, escolas
+
professores free lance, cidadãos que possuam conhecimento ou expertise
=> segurança em bairros e cidades (feita em parte por vizinhos)
não justiça, nem prisões ou condenações
A pensar:
- como organizar de forma descentralizada tantas partes ?
"Quando as partes de um sistema se comportam de forma independente umas das outras, o comportamento coletivo do sistema é simples." E consequentemente o resultado do comportamento coletivo também é mais pobre e menos inteligente. "A complexidade do comportamento coletivo tem que ser menor do que a complexidade do indivíduo que controla o todo." Um indivíduo, para controlar um grupo maior, não pode deixar o grupo ser mais inteligente que ele mesmo. "Organismos que são menos complexos que as demandas do ambiente têm menos probabilidade de sobrevivência." Precisam aumentar sua complexidade para se adaptarem. Aprendi com o artigo abaixo: Y. Bar-Yam, Complexity rising: From human beings to human civilization, a complexity profile, Encyclopedia of Life Support Systems (EOLSS UNESCO Publishers, Oxford, UK, 2002); also NECSI Report 1997-12-01 (1997).
- como utilizar quem trabalha por free lance e por serviço ?
tradutores, programadores, designers, arquitetos, consultores, alguns jornalistas e produtores de mídia, engenheiros e projetistas, pedreiros, pessoal de limpeza
- pessoa vai no supermercado e já faz compras para vizinhos
- alguém vai viajar para visitar parentes em outra cidade e já leva encomendas de um estranho
(negociado pela internet); precisa confiança
- utiliza poder de grandes centros urbanos conforme pensamento do Geoffrey West ???
necessidade de infraestrutura cresce abaixo do crescimento da população
- como conseguir engajamento do paciente no tratamento ?
- como fazer cooperativas de conhecimento ?
sexta-feira, 10 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
SOBRE COOPERAÇÃO, PUNIÇÃO, RECIPROCIDADE E GENEROSIDADE – Por que fazer o bem é importante e punir quem não faz também.
Matt Ridley escreveu um livro sobre as origens da virtude no ser
humano. O livro é uma grande discussão filosófica recheada de exemplos
práticos.
Por outro lado, Martin Nowak e parceiros estudaram a cooperação através
de simulações computacionais. A ideia é fazer simulação social, ou seja,
avaliar o comportamento de pessoas (principalmente multidões) através de
modelos computacionais.
A cooperação pode ser entendida como a ajuda de pessoas a pessoas.
Podemos ver isto no contexto de uma equipe de trabalho ou esporte, dentro de
uma família, no contexto de uma empresa toda e certamente na sociedade (cidade,
país ou planeta).
Nowak utilizaram jogos como o Dilema do Prisioneiro, a Tragédia dos Comuns,
o jogo do Ditador, etc. Estes jogos consistem em simular rodadas de interações
entre pares de pessoas. As pessoas são representadas por agentes computacionais
que assumem comportamentos programados.
No caso, 2 comportamentos foram estudados: os cooperadores e os
desertores.
Os cooperadores podem ser vistos como aquelas pessoas que ajudam
outros, que compartilham informações, que fazem o bem, que atuam ou participam como
voluntários em eventos ou promoções beneficentes. Já os desertores seriam os
que possuem comportamento contrário.
Nowak começou com uma distribuição aleatória de cooperadores e desertores.
Assim como a evolução dos seres vivos, novas gerações surgem, geralmente
repetindo o comportamento de seus pais. Mutações aleatórias são forçadas para
modificar o comportamento, simulando alterações de comportamento de pai para
filho.
No primeiro experimento, em poucas gerações, todos estavam desertando,
ou seja, os desertores dominaram o mundo (ou a sociedade em questão).
Outro experimento foi feito, onde todos começavam cooperando e a partir
daí copiavam o comportamento de seu par (ou oponente no jogo). Ou seja, cada
indivíduo escolhe cooperar na sua primeira decisão. Se seu par no jogo cooperar
também, o indivíduo segue cooperando na próxima decisão. Se o par não cooperar,
então o indivíduo muda seu comportamento para também não cooperar. É o chamado
tit-for-tat (olho por olho), que já aparecia nas antigas leis da sociedade (ver
Código de Hamurabi e Levítico, o livro de leis dos Judeus). O resultado foi que
houve um rápido domínio de cooperadores (isto quando o início é por cooperar e
depois ocorre a imitação ou olho por olho).
Esta é a reciprocidade direta (1). Ou seja, o famoso “eu te coço, tu me
coça” que existe inclusive entre os macacos. Mas que também pode servir para o
mau (“se tu me bater, eu te bato também”, que os humanos parecem já trazer como
instinto, pelo comportamento dos bebês em creches).
Segundo Nowak, há 5 formas de os
cooperadores prevalecerem no grupo. E a reciprocidade direta é a 1ª.
Naquele experimento de Nowak, depois de 20 gerações, surgiu por mutação
(um tipo de evolução natural) uma nova estratégia: cooperar em alguns casos
onde o outro desertou (este é o surgimento do perdão como fator evolucionário).
Esta estratégia é bem entendida como fator de sobrevivência para a raça humana.
Imagina se o olho por olho ficasse para sempre; não haveria mais humanidade.
Por isto é que judeus e árabes continuam a brigar, porque em algum momento há
perdão e mudança da estratégia.
Outra estratégia de cooperação é a seleção espacial (2). Ela acontece
quando um vizinho coopera com outro vizinho, formando grupos que prevalecem
sobre desertores. A vizinhança pode ser por espaço, região geográfica ou por
perfil de interesses.
Há também a seleção de parentesco (kin selection) (3), que ocorre
quando um parente ajuda outra (como o amor fraternal ou de uma mãe por seu
filho).
A 4ª estratégia é a reciprocidade indireta (4): “se eu coçar alguém
hoje, amanhã um outro vai me coçar”.
Nos seres vivos, um indivíduo ajuda outro pela sua reputação (se ele já
ajudou outros antes). Por isto, é importante a formação da reputação (falaremos
disto depois).
A 5ª estratégia é a seleção de grupo (5): um grupo de cooperadores
tende a prevalecer sobre grupos de desertores.
Axelrod também fez simulações computacionais e concluiu que os custos
de não cooperar são maiores que custos da cooperação e que um grupo só de
trapaceiros não sobrevive. Segundo ele, o ser humano deve combinar 4 fatores:
1. Bondade: evita problemas desnecessários;
2. Retaliação: desencoraja deserção dos outros;
3. Perdão: retoma estado inicial de cooperação;
4. Clareza: para o outro entender nossa posição.
As 5 formas de cooperação existem em outros animais ? Sim.
O que nos faz diferentes ? Temos mais facilidade para avaliar a reputação,
especialmente devido à linguagem.
Segundo Robin Dunbar, este foi o fator que fez nosso cérebro maior: a
necessidade de controlar um grupo social maior (mais indivíduos interagindo).
A troca de informações entre pessoas sobre terceiros é também chamada
de fofoca. A fofoca é um fator “pró-social”, pois ajuda a controlar a reputação.
É barata e eficiente (segundo Feinberg e outros) e não requer habilidades
(segundo Foster). E pode ter sido causa para o desenvolvimento da linguagem. A
fofoca também é um instrumento de “ressonância”, para que está chegando conhecer
o grupo (segundo Ellwardt). Entretanto, conforme Foster, fofoca demais torna a reputação negativa e
marginaliza o indivíduo.
A comunicação pode ter sido um fator de seleção natural, ajudando na
adaptação a novos ambientes, através da troca de experiências e dicas pela
cooperação entre pessoas.
E reputação ajuda também as empresas. Veja a importância que as
empresas estão dando para análise de sentimentos na web, ou seja, analisar o
que estão falando dela e seus produtos/serviços principalmente nas redes
sociais.
Sobre a punição, os estudos de Boyd e parceiros concluíram que ela deve
existir, senão a estratégia não funciona. E isto mesmo tendo custo para quem
pune e talvez até mais custo que benefícios (ex.: prisões). O medo de desertar depende
da probabilidade de ser descoberto e não somente no tamanho da transgressão
(culpa é maior quando se torna pública, segundo Wright). O Código de Hamurabi
(escrito na Babilônia em 1.700 a.C.), já valorizava a cooperação e punia o egoísmo.
Em alguns casos, a raiva é motivação a mais para punir quem não coopera (segundo
Fehr e Gachter)
Segundo Boyd (em jogos com mais jogadores), a cooperação recíproca
evolui quando pune também os que não punem (estratégia moralista). A falta de
punição diminui a cooperação. Em grupos onde punidores são comuns, desertores
são excluídos.
Em relação à cooperação como forma de eliminar a tragédia dos comuns, Nowak
cita o experimento de Manfred Milinski utilizando um jogo onde pessoas recebem
dinheiro e devem doar parte para salvar o planeta. Frequentemente acontecia de
o grupo falhar em salvar o planeta mas havia altruísmo (através das doações). Observadores
concluíram que, quando pessoas recebem informações sobre resultados (por
exemplo, importância em ajudar para salvar planeta), elas tendem a cooperar
mais. A conclusão é que pessoas precisam ser convencidas dos problemas para
fazer sacrifícios para o bem comum.
E também: pessoas são mais generosas quando suas ações são públicas (e
não anônimas).
E daí mais uma vez a importância da reputação.
Hoje em dia podemos ver que as pessoas estão mais preocupadas com a
reputação, porque há câmeras espalhadas, porque nossas ideias publicadas em
redes sociais e blogs são lidas (e criticadas) por mais pessoas. Há quem seja
contra tantas críticas e discussões nas redes sociais. Mas elas possuem valor
como instrumento para manter a reputação e punir desertores modernos. E daí
também a importância das redes sociais, sites de reclamações, opiniões e
avalições de empresas, produtos e serviços, porque ajudam a criar e manter
reputações. É claro que devemos excluir os chatos que reclamam ou criticam por
motivos egoístas (como forma de liberar sua própria energia ou para fazer fama
no grupo).
Nowak acredita que há ciclos (altos e baixos) de cooperação e deserção
na história da humanidade. Só não sabe em que ponto estamos.
Referências:
AXELROD, Robert. The
Evolution of Cooperation (revised edition). Basic books, 2006.
BOYD, Robert; GINTIS,
Herbert; BOWLES, Samuel; RICHERSON, Peter J. The evolution of altruistic punishment. Proceedings
of the National Academy of Sciences of the United States of America, v.100,
n.6, 2003, p.3531-3535.
ELLWARDT, Lea. Gossip
in Organizations: A Social Network Study. Ridderprint, 2011.
FEHR, Ernst; GACHTER,
Simon. Altruistic punishment in humans. Nature, n.415, Janeiro 2002, p.137-140.
FEINBERG, Matthew; WILLER,
Robb; STELLAR, Jennifer; KELTNER, Dacher. The Virtues of
Gossip: Reputational
Information Sharing as Prosocial Behavior. Journal of Personality and Social
Psychology, Vol. 102, No. 5, 2012, p.1015–1030.
FOSTER, Eric K.
Research on Gossip: Taxonomy, Methods, and Future Directions. Review of General
Psychology, v.8, n.2, 2004, p.78–99.
NOWAK, Martin A. Why
we help. Scientific American, Julho 2012, p.34-39.
NOWAK, Martin A. Five
rules for the evolution of cooperation. Science, v.314, Dezembro 2006,
p.1560-1563.
NOWAK, Martin A.
Evolutionary dynamics - exploring the equations of life. Harvard University
Press, 2006.
WRIGHT, Robert. The
moral animal - why we are the way we are: the new Science of evolutionary
psychology. Vintage, 1995.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Sobre previsões e causalidade
Previsão autorrealizável: alguém faz uma previsão que influencia as
pessoas e a previsão acaba ocorrendo por causa disto.
Vejam este texto extraído de "O Sinal e o Ruído" de Nate
Silver:
"Se um grupo de estilistas influentes chega à conclusão de que
marrom será a cor em alta no ano seguinte e fabrica várias roupas marrons,
contrata modelos e celebridades para vestirem
roupas marrons e exibe em lojas, vitrines e catálogos muitas peças
marrons, o público pode
começar a agir de acordo com a tendência. Mas estão reagindo mais à publicidade
dessa cor do que expressando uma profunda preferência subjacente por ela. O
estilista pode parecer um “sábio” por ter “previsto” a cor da moda, porém, se
tivesse escolhido preto, branco ou lilás, o mesmo processo poderia acontecer."
Previsão autocancelável: a publicação da previsão muda o comportamento
das pessoas e altera a previsão. Por exemplo, na transmissão de doenças, se o
governo fizer campanhas, a população muda seus hábitos e diminui a velocidade
de transmissão. Ou aumenta o número de casos relatados (e os casos escondidos
não estavam sendo contados).
Outro texto extraído de "O Sinal e o Ruído" de Nate Silver:
"Ozonoff acredita que esse fenômeno pode ser responsável, em
parte, pela
velocidade com que a gripe suína pareceu se espalhar pelos Estados Unidos
em
2009. A doença se disseminou com rapidez, mas parte do acentuado aumento
estatístico pode ter vindo de pessoas que notificaram aos médicos sintomas
que,
de outro modo, teriam ignorado. Se os médicos quiserem fazer
estimativas sobre o ritmo em que uma doença se espalha na população, o número
de casos publicamente notificados
pode gerar resultados falhos."
Problema da causalidade:
o Big Mac é o sanduíche que vende mais porque fica pronto mais rápido,
ou fica pronto mais rápido porque vende mais ? Se o McDonalds começasse a
pré-preparar o McFish (mais unidades prontamente disponíveis), ele seria o mais
vendido ?
Mais um texto extraído de "O Sinal e o Ruído" de Nate Silver:
"A situação pode ser comparada à notificação de crimes: um número
elevado de roubos registrados em um bairro é consequência de policiais mais
vigilantes, que detectam crimes que antes não conseguiriam, ou da facilidade de
registrá-los? Ou, ainda, de o bairro estar se
tornando mais perigoso?"
Sobre o problema da causalidade, Levitt e Dubner (no livro "Freakonomics:
A Rogue Economist Explores the Hidden Side of Everything") afirmam que a
redução de crimes em 1990 pode ter como causa a legalização do aborto no início
da década de 1970.
segunda-feira, 22 de junho de 2015
Exemplos de como fazer análise OLAP para BI: como fazer cubos e gráficos, o que analisar
As análises ou interpretações dos resultados geram HIPÓTESES, que
precisam ser confirmadas com mais dados ou pela interpretação de humanos
(geralmente analisando eventos da vida real).
Exemplo: um gráfico mostrando subida nas vendas. Procurar o porquê. A resposta
pode estar em ações feitas fora da empresa (e não documentadas ou registradas
com dados).
ISTO NÃO É UM CUBO
Isto é um cubo, pois há um atributo na linha e outro na coluna.
Unidades Vendidas
Observações:
Cliente A: vem diminuindo as compras
Cliente B deixou de comprar
Cliente C irregular ou sazonal, ver caraterística dos anos em que
comprou
Cliente D teve uma entressafra
Uma representação gráfica facilita muita esta visualização
O que analisar:
- picos (subidas ou descidas que se destacam do resto) e procurar
investigar por que os picos ocorreram;
- linhas retas (comportamento normal): é bom também saber o que
funciona sem desvios ou exceções;
- identificar padrões sazonais, ou seja, repetições em épocas
específicas (mês, duplas ou trios de meses, dia da semana); exemplo: picos que
acontecem especificamente em certos momentos (a cada 4 anos, vendas de TVs
sobem muito)
Abaixo temos um cubo típico: um atributo na linha (com valores de 1 a
10) e outro atributo nas colunas (com valores de A a D).
Imagine que os valores na linha ou na coluna são faixas de idades. Não
use valores absolutos, porque para encontrar padrões precisamos ter repetições.
Usando valores absolutos (exemplo, idade, quantidade, valor), talvez haja
poucas repetições. Então faça discretização, ou seja, crie faixas de valores
que as chances de repetição são maiores.
A
|
B
|
C
|
D
|
|
1
|
450
|
690
|
340
|
430
|
2
|
490
|
789
|
450
|
340
|
3
|
560
|
405
|
490
|
450
|
4
|
670
|
590
|
560
|
720
|
5
|
720
|
456
|
100
|
830
|
6
|
830
|
1020
|
870
|
870
|
7
|
870
|
720
|
740
|
239
|
8
|
740
|
830
|
610
|
400
|
9
|
610
|
870
|
560
|
349
|
10
|
490
|
230
|
600
|
120
|
No caso de produtos, podemos usar atributos tais como: classe, tipo,
setor ou categoria do produto; faixas de preços; frete grátis ou não; cor,
voltagem, marca, tipo de embalagem.
No caso de clientes, usar atributos tais como: cidade, bairro, sexo,
idade, classe social, nível de escolaridade.
No caso de vendas: faixa de valor total pago, forma de pagamento, loja,
vendedor,
O atributo data é clássico mas tem que separar em ano, mês, dia do mês
e dia da semana)
Se for usar hora, não utilizar os minutos (para aumenta repetições).
Uma boa também é usar turno (melhor que hora, pois haverá mais repetições).
Obs: não uso atributos onde haja um valor que domine. Por exemplo, se
pegar uma base de clientes e a grande maioria for da mesma cidade, não vale a
pena analisar o atributo cidade.
Podemos também usar valores binários.
Exemplo: comprou ou não nos últimos 6 meses. É claro que no ETL teremos
que criar tais valores, pois provavelmente deve aparecer data da compra.
Outros exemplos: tem interessem em ...; já comprou produto no setor X;
SIM
|
NÃO
|
|
1
|
450
|
690
|
2
|
490
|
789
|
3
|
560
|
405
|
4
|
670
|
590
|
5
|
720
|
456
|
6
|
830
|
1020
|
7
|
870
|
720
|
8
|
740
|
830
|
9
|
610
|
870
|
10
|
490
|
230
|
Ou criar escalas tipo:
SEMPRE
|
VÁRIAS VEZES
|
REGULARMENTE
|
RARAMENTE
|
NUNCA
|
|
1
|
450
|
690
|
340
|
430
|
239
|
2
|
490
|
789
|
450
|
340
|
400
|
3
|
560
|
405
|
490
|
450
|
349
|
4
|
670
|
590
|
560
|
720
|
120
|
5
|
720
|
456
|
100
|
830
|
490
|
6
|
830
|
1020
|
870
|
870
|
560
|
7
|
870
|
720
|
740
|
239
|
590
|
8
|
740
|
830
|
610
|
400
|
456
|
9
|
610
|
870
|
560
|
349
|
1020
|
10
|
490
|
230
|
600
|
120
|
720
|
UM CUBO COM 3 DIMENSÕES
A
|
B
|
C
|
D
|
E
|
||
X
|
1
|
450
|
690
|
340
|
430
|
239
|
2
|
490
|
789
|
450
|
340
|
400
|
|
3
|
560
|
405
|
490
|
450
|
349
|
|
Y
|
4
|
670
|
590
|
560
|
720
|
120
|
5
|
720
|
456
|
100
|
830
|
490
|
|
6
|
830
|
1020
|
870
|
870
|
560
|
|
7
|
870
|
720
|
740
|
239
|
590
|
|
Z
|
8
|
740
|
830
|
610
|
400
|
456
|
9
|
610
|
870
|
560
|
349
|
1020
|
|
10
|
490
|
230
|
600
|
120
|
720
|
É uma forma de representar 3 dimensões em duas (2 planos, pois não
temos a profundidade, a não ser que existissem monitores 3D).
Nas linhas, temos duas dimensões (2 atributos): um com valores X, Y e
Z, e outro atributo “interno” com os valores de 1 a 10.
Exemplos:
Países e tipos de cidades (ou tamanhos)
Lojas e vendedores
Setores e tipos de produtos
Marcas de produtos e faixas de valores
Isto é o que permite fazer drill-down e drill-up (subir ou descer na
hierarquia, ou seja, aumentar ou diminuir granularidade ou detalhes).
CIDADES E BAIRROS
Às vezes é difícil repetir valores para este tipo de atributo.
Então usar algum tipo de classificação, por exemplo:
grandes X pequenas
interior X capital
interior X litoral
renda da cidade ou índices sociais (tipo IDH, renda per capita média).
DOIS CUBOS DIFERENTES PARA COMPARAR
O melhor para compara é utilizar gráficos. 2 gráficos são mais fáceis
de comparar que 3, 4, etc. Mas podemos usar mais gráficos também.
Os cubos poderiam ser:
- períodos de tempos diferentes (ano X ano, mês X mês), para
compras/vendas/produção de clientes/vendedores/lojas/produtos ao longo do
tempo;
Ex. de descoberta: produto A (azul) foi adquirido regularmente ao longo
do tempo na amostra 1 com pequeno aclive no momento 7 (pode ser mês ou ano ou
dia da semana). Na 2ª amostra, o produto
vendeu de forma irregular ao longo do tempo (investigar por que as quedas e
subidas).
- vendas correlacionando tipo de produto X tipo de cliente
Ex. de descoberta: produto B (vermelho) foi mais adquirido por clientes
tipo 6 na amostra 1. Já na amostra 2, o mesmo produto foi o menos adquirido
pelo mesmo tipo de clientes.
Observação:
Gráficos em linha são melhores para analisar ritmo ou distribuição ao
longo do tempo, pois fica mais fácil ver subidas e descidas.
Gráficos com barras são melhores para comparar valores (quem está acima
de quem, altos X baixos).
Gráficos em Pizza são melhores para comparar proporções (onde valores
absolutos não são tão importantes).
Exemplo: qual setor gasta mais que os outros em termos %
(proporcionais).
Como nos gráficos abaixo.
Exemplo: gastos por setor (cada amostra é uma filial diferente; A x B).
Ex. de descoberta: setor roxo (valor 4) mantém proporção em ambas
amostras. Mas o setor 10 (lilás) é bem diferente de uma amostra para outra (18%
para 4%).
CRIAR SUBGRUPOS E COMPARAR
Subgrupos são amostras diferentes.
Exemplos:
- períodos de tempos
- subconjuntos extraídos de um valor único (ex. pegar somente pessoas
do sexo masculino, somente cidades com mais de 100 mil habitantes)ou com um
critério específico (ex. somente produtos com maior saída ou preço acima de
tanto).
Comparar:
- subgrupos entre si;
- comportamento do subgrupo X todo
MÉTRICAS OU MEDIDAS
O tipo de dado colocado dentro do cubo é chamado de métrica
ou medida.
Que dado ou atributo colocar dentro do cubo ?
Imagine que você está analisando diferentes tipos de
clientes. Uma medida seria avaliar a quantidade de produtos adquiridos por cada
tipo (ou por cada cliente especificamente). Entretanto, lucratividade é mais
importante que quantidade. Então talvez seja melhor utilizar como medida a soma
de valores gastos (ou lucro, que é igual receita menos despesa/custo).
Pode-se também utilizar média, máximo, mínimo, etc.
|
A
|
B
|
C
|
D
|
|
|
1
|
450
|
690
|
340
|
430
|
|
2
|
490
|
789
|
450
|
340
|
|
3
|
560
|
405
|
490
|
450
|
|
4
|
670
|
590
|
560
|
720
|
|
5
|
720
|
456
|
100
|
830
|
|
6
|
830
|
1020
|
870
|
870
|
|
7
|
870
|
720
|
740
|
239
|
|
8
|
740
|
830
|
610
|
400
|
|
9
|
610
|
870
|
560
|
349
|
|
10
|
490
|
230
|
600
|
120
|
Num hospital, talvez seja interessante analisar o número de
casos de uma doença (cruzando por exemplo, região X faixa etária). Mas também
podemos utilizar como medida a média de tempo de internação (cruzando por
exemplo, doença X sexo).
|
Masc
|
Fem
|
|
|
Grupo 1
|
15
|
6
|
|
Grupo 2
|
23
|
14
|
|
Grupo 3
|
5
|
40
|
|
Grupo 4
|
6
|
7
|
|
|
|
|
|
|
|
|
No exemplo acima, podemos ver claramente que as doenças dos
grupos 1 e 2 exigem maior tempo de internação para homens (quase o dobro de
dias que as mulheres). Já o grupo 3 inverte a gangorra, com 8x mais tempo para
mulheres que homens. E no grupo 4 há uma equilíbrio entre sexos.
Numa escola, a medida pode ser a nota tirada pelo aluno
(média) ou a contagem de vezes que o aluno recebeu alguma notificação negativa.
|
A
|
B
|
C
|
D
|
|
|
1
|
0
|
0
|
0
|
0
|
|
2
|
3
|
0
|
10
|
0
|
|
3
|
2
|
0
|
6
|
0
|
|
4
|
0
|
0
|
0
|
0
|
|
5
|
0
|
0
|
5
|
12
|
|
6
|
0
|
0
|
4
|
8
|
|
7
|
0
|
0
|
0
|
0
|
|
8
|
0
|
0
|
0
|
0
|
|
9
|
0
|
0
|
0
|
0
|
|
10
|
0
|
0
|
0
|
0
|
No cubo acima, as notas estão nas linhas e as colunas
representam níveis escolares diferentes (A menor nível, D o maior). Foi
utilizada como medida o número de alunos que receberam notificações negativas. Isto
significa que, no entroncamento da linha referente à nota 2 com a coluna
referente ao nível A, 3 alunos receberam notificações, ou seja, 3 alunos do
nível A receberam notificações e ficaram com nota 2.
Vejam que alunos aprovados (com notas igual ou maior que 7)
não receberam notificações em nenhum nível. No nível B, nenhum aluno recebeu
notificação (estudar por quê). Pelas análise das turmas A e C pode-se ver que
há uma escala: mais notificações para alunos com menos notas. E a turma do
nível D possui algo de interessante que é um grande número de notificações mas
para alunos que quase foram aprovados.
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